Cinquenta anos do golpe militar: O Brasil não esquece

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Imagine dormir em um país democrático e acordar em um governo ditatorial. Isso aconteceu com a população do Brasil há exatos cinquenta anos.

Na madrugada de 31 de março de 1964, tinha início a rebelião militar que resultou, no dia 1º de abril do mesmo ano, com o golpe de estado que tirou do governo o presidente João Goulart, também conhecido como Jango.

Vários são os possíveis motivos desencadeadores da tão conhecida ditadura brasileira. Em 1964, houve um movimento de reação, por parte de setores conservadores da sociedade brasileira – notadamente as Forças Armadas, o clero da Igreja Católica e organizações da sociedade civil, apoiados fortemente pelos Estados Unidos– ao temor de que o Brasil viria a se transformar em uma ditadura socialista similar à Cuba. Aí surge o apoio integral ao golpe contra Jango.

A partir de então o Brasil viveu vinte e um anos onde não havia liberdade de expressão, os direitos humanos eram violados diariamente, pessoas e famílias inteiras eram sequestradas e torturadas pelo governo. A imprensa era censurada e o povo perdeu quase todo seu direito à informação.

Universitários, assim como eu e você, tinham sofriam abusos e restrições dentro das instituições de ensino. Escolas de ensino fundamental alteravam a história do Brasil que era ensinada às crianças.

Apesar de violenta desde o começo, o pior momento da ditadura se deu a partir de 13 de dezembro de 1968, quando o general Arthur da Costa e Silva assinou o Ato Institucional número 5. O tão famoso AI-5  tirou os direitos políticos dos cidadãos por dez anos em caso de manifestação contra o regime e determinou que prisões poderiam ser feitas sem o respeito aos direitos legais. O Congresso permaneceu fechado por um ano.

Durante o período militar, houve um surto de crescimento econômico chamado de “Milagre brasileiro“, caracterizado pela modernização da indústria e pelas grandes obras. Porém, também havia os interesses de grandes grupos econômicos e a especulação do capital.  Naquela época, fortunas gigantescas foram ganhas às custas de empréstimos externos.

Fim da Ditadura

Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresentava vários problemas, como inflação e recessão econômica. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos.

Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano.
No dia 15 de janeiro de 1985, o deputado Tancredo Neves foi escolhido pelo Colégio Eleitoral, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República.
Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves tem uma repentina doença e acaba falecendo antes de assumir. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova constituição para o Brasil, onde tenta-se apagar rastros da ditadura e traz de volta a democracia ao Brasil.

cem_mil_3Protesto contra a ditadura realizado no Rio de Janeiro, em 1968.