Enquete: 26% é pouco?

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por Carol Ferezini

No dia 27 março, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou uma pesquisa, que apontava, entre outras coisas, que para 65% dos brasileiros, as mulheres que usam roupas curtas merecem ser estupradas. Não demorou muito para que manifestações de repúdio a este pensamento começassem a surgir, mas também não foram poucos os que concordaram com ele, gerando assim um debate em grandes proporções que invadiu a Internet. Como resposta, foi criado nas redes sociais o movimento “não mereço ser estuprada”, idealizado pela jornalista Nana Queiróz, ao posar sem roupa para uma foto, com os dizeres “não mereço ser estuprada” escrito em sua pele, e como pano de fundo, o Planalto Central. O gesto da jornalista se espalhou rapidamente, sendo reproduzido por mulheres anônimas e também famosas.

Uma semana depois, após estampar as manchetes dos jornais de todo o país, a pesquisa do IPEA volta novamente à cena, desta vez, para reconhecer que os dados divulgados anteriormente não estavam corretos. No dia 4 abril, juntamente com a exoneração do diretor da área social do IPEA, Rafael Guerreiro Osório, o Instituto divulgou uma errata, alegando uma inversão nos dados dos gráficos. Na verdade, o resultado correto é de que 26% dos brasileiros entrevistados concordaram, total ou parcialmente, com a afirmação: “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.

Com esse episódio, a pesquisa do IPEA virou piada, e ganhou até um tumblr que traz pesquisas fictícias, satirizando o erro do instituto. Em pouco tempo saiu de pauta a discussão entorno de que 65% dos brasileiros culpam as vítimas por terem sido estupradas, porque agora sabemos que são apenas 26% que pensam desta forma. Apenas?

O erro em si e a demora em admiti-lo pode ter sido desastroso, mas não se deve tirar a atenção para o verdadeiro problema: há quem pense que a culpa dos ataques contra a mulher é da vítima, e não do estuprador.

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