Os empecilhos do caminho rumo à felicidade

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Violência e Estado repressor são impedimentos ao alcance de uma vida feliz no espetáculo BR-Felicidade, da Cia. Teatro Kaos. A referência política não é mera coincidência, pelo contrário, faz parte de uma crítica com base em textos de Fernando Arrabal, Alejandro Jodorowski e Glauber Rocha. A trama desenrolada por três personagens expressa a ironia e a crítica de discursos que foram frequentemente ouvidos durante esse ano.

A peça é gratuita e será apresentada nessa quinta-feira (21) no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), na rua Ângelo Gaiotto, Jardim Santa Rita, em duas apresentações: às 10h e às 19h. Durante todo o mês de junho o espetáculo será reapresentado em diversos locais públicos e alternativos de Londrina. Confira a programação ao final da matéria.

Crítica

A partir de referências bibliográficas de controle do poder, BR-Felicidade aborda as diversas formas de violência. João, vivido por Gustavo Garcia, e Maria, interpretada por Bruna Cassemiro, formam um casal que vive na rua com um carrinho de catador de papel, no Brasil do século XIX. Há ainda um terceiro personagem responsável pelas amarras políticas da trama, representado pelo ator Ricardo Bagge.

A escolha do catador de papel não é uma crítica à pobreza, como se pode imaginar. Na verdade, foi uma escolha estética: eles representam a paisagem costumeiramente vista pelas pessoas que vivem dentro de seus carros.

Divulgação

BR-Felcidade é a estrada que deveria nos levar a felicidade, caso não houvesse empecilhos da vida no caminho. “Quais os níveis de felicidade? Com que frequência temos felicidade? O que é esse lugar de felicidade?”, questiona Garcia, em entrevista ao Jornal de Londrina.

O terceiro personagem representa os empecilhos: o Estado repressor, que usa a violência a favor da democracia e da felicidade. Discursos políticos de Getúlio Vargas são mencionados na peça junto com outros e fazem ecoar aqueles que nos acostumamos a ouvir nas últimas semanas.

Cia. Teatro Kaos

A Cia. Teatro Kaos foi criada em 1988, no estado de Santa Catarina. Com a turnê Baden-Baden: o acordo participou de festivais no Brasil, Argentina, Uruguai, Espanha e Portugal. Em 1996, a companhia fixou-se em Lisboa e desenvolveu um projeto de formação de atores e fomento a ações voltadas à criação de novos públicos. O Teatro Kaos voltou ao Brasil, em 2010, e estabeleceu-se em Londrina, onde, em parceria com a Vila Usina Cultural, desenvolve ações de formação e produção.

Ficha técnica

Dramaturgia | Encenação | Paisagem Sonora: Edward Fão

Intérpretes: Gustavo Garcia, Bruna Cassemiro e Ricardo Bagge

Cenografia | Figurino: Alex Lima

Designer gráfico: Ricardo Bagge

Apoio: Usina Cultural e Pé Vermelho Fotoclube

Patrocínio: Prefeitura de Londrina/Promic

Realização: Cia Teatro Kaos

Duração: 55 minutos

Classificação etária:14 anos

Programação

06/06 (sábado), às 12 horas: Praça Marechal Floriano Peixoto (ao lado da Catedral)

12/06 (sexta-feira), às 11 e 19 horas: Preça do Restaurante Universitário da Universidade Estadual de Londrina – UEL

13/06 (sábado), às 11 horas: Calçadão (Av. Paraná)

19/06 (sexta-feira), às 11 e 19 horas: Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR

20/06 (sábado), às 16 horas: Praça Nishinomiya (próximo ao Aeroporto)

21/06 (domingo), às 11 horas: Centro Cultural Lupércio Luppi – Região Norte (Avenida Saul Elkind, 790)

26/06 (sexta-feira),  às 20 horas Usina Cultural (Avenida Duque de Caxias, 4159)

27/06 (sábado),  às 20 horas Usina Cultural (Avenida Duque de Caxias, 4159)

28/06 (domingo), às 17 horas: Usina Cultural (Avenida Duque de Caxias, 4159)