Eô eô, esse texto é de terror

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Confesso: não gosto de filmes de terror. Por que eu voluntariamente assistiria a alguma coisa que está tentando me assustar? Por que ver um filme que diz “hey, senta aí que durante as próximas duas horas eu vou tentar fazer seu coração sair pela boca”.

Eu não tenho medo porque os títulos em geral são irreais. Tá sempre falando de exorcismo, hora do pesadelo, atividades paranormais, a casa assassina. Eu morreria de medo de fosse algo mais realista como “Eu sei o que você fez na fatura do seu cartão de crédito passada”.

O conteúdo também não me surpreende. O que vai me aterrorizar nesses filmes? Um cara com um facão e uma máscara de hóquei? Um boneco assassino? Uma menina que gorfa verde? Uma casa feita toda de cera? A menos que fosse feita de cera de ouvido. Isso sim é aterrorizante. Imagina? “Oh meu deus! A cara de cera está nos atacando, o que fazemos?” “Não se preocupem, eu trouxe cotonetes”.

Quem me assustou de fato na infância foi a Samara, que tem 14 anos (teria se estivesse viva) e — não, não essa, mas aquela do filme O Chamado. Aterrorizante não era o fato dela ter o pacto com uma fita maldita, mas sim o cabelo que ela usava na frente da cara. “Meu deus, Samara, amarra esse cabelo ou você vai acabar trombando em alguma coisa. Aí, tá vendo? Eu avisei. Caiu de dentro da televisão. E ainda me molhou todo o tapete da sala. Vai já pro seu quarto pentear essa juba”.

Apesar de eu já ter sentido muito medo da Samara, agradeço pelo filme ter saído na época da fita. Se quando era fita a infeliz já fazia aquele estrago, imagina se ela resolvesse sair de um Blu-Ray 3D?

Sete dias é um prazo muito curto. Se fosse hoje a Samara chegaria mais rápido na minha casa que minhas encomendas do Submarino. O que é frustrante. Num dia você faz a compra, no outro vê a fita, a Samara aparece. “Não! Me dá mais uma semana! Tá pra chegar minha encomenda! Eu acabei de comprar um computador novo, se eu não estiver aqui eu nunca mais vou receber! Deixa eu receber, depois você me mata!”.