Homem solteiro procura – mas, felizmente, não encontra

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Aviso: infelizmente, o HumanoChef – parte 2 não vai sair essa semana. Estive com uma crise grave de sinusite. Mas semana que vem eu faço a continuação! Se quiser, pode ver o HumanoChef – parte 1 aqui. Dito isso, a crônica dessa semana:

Algumas situações na vida nos ocorrem sem que tenhamos tempo de reagir. Observamos com um misto de surpresa e curiosidade assim como paramos no meio da rua para ver duas pessoas brigando. Admitindo ou não, nós gostamos de uma tragédia, um furdunço, e o número da audiência do Datena não me deixa mentir.

Partindo desse princípio, eu estava parado em frente a uma banca de jornais e observava os famigerados “livros de colorir para adultos”. O mais famoso dali era o “Jardim Secreto” que, de tanta fama, já não é secreto pra mais ninguém.

Alguns estudiosos consideram a febre desses livros como uma infantilização do ser humano. Quando questionado se não era coisa de criança, um dos compradores bateu o pé, fez bico e disse: “não é, não é e não é!”.

A variedade era imensa. Tinha jardim, floresta, cidade, anime – sim, aqueles desenhos japoneses – e me bateu uma preguiça tão grande de pintar tudo aquilo a ponto de pensar: “eu só compro quando lançarem uma edição dos filmes do Chaplin”.

Minha inércia foi interrompida por um homem que, sem nenhum pudor ou preocupação com as pessoas à sua volta (ou com meu ouvido, que assim como o J. Pinto Fernandes ainda não tinha entrado na história), berrou: “Esses livros aqui de colorir. Não tem daqueles de sexo, de orgia, de suruba?”.

Assim como quem encontra uma vasilha com feijão velho na geladeira não precisa abri-la para saber que aquilo com certeza não cheira bem, evitei olhar para o lado. Afinal, quem sou eu para julgar o que os outros podem ou não colorir? Além do mais, é mais divertido imaginar que aquele homem era na verdade o Martinho da Vila levando ao pé da letra o fato de que ele realmente já teve mulheres de todas as cores.

Apesar de tudo, o pedido fora específico. O homem estava determinado a encontrar seu material. Ele não quis se limitar. Ele de fato não queria deixar nenhuma dúvida. Podia ser sexo, orgia, suruba, acredito eu que para evitar uma situação desgastante na qual o dono da banca se lamenta: “olha, não tenho nenhum desses, mas tem um de bacanal aqui que tá tendo muita saída”.

Ele foi embora de mãos vazias, mas tenho certeza de que quando ele encontrar o que procura, vai ficar muito feliz em finalmente poder dar uma pintada.