Valorize as conquistas e Reduza as lamentações

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Meu propósito com esse tema é despertar questionamentos sobre como conduzimos os acontecimentos positivos e negativos de nossas vidas, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Possivelmente, ao ler todo conteúdo desse artigo você poderá identificar “onde” e como costuma investir mais seu tempo e sua energia. Aproveite essa oportunidade para rever alguns de seus comportamentos, se for necessário.

Para ajudá-lo a colocar em prática algumas reflexões aqui sugeridas, reproduzi cinco dicas de exercícios utilizados em processos de coaching, para você aplicar e treinar em seu dia-a-dia.

Você sabia que, em média, os brasileiros lamentam de 15 a 40 vezes por dia, muitas vezes sem perceber?

E, você? Lamenta muito pelas as coisas que faltam em sua vida? Costuma constantemente reclamar das situações, das pessoas, trabalho, clima e etc.?

Caso esteja pensando que esse tema não tem nada a ver com sua forma de agir, se mostrando resistente e dizendo que praticamente não reclama de nada, sinto muito, mas pode apostar que servirá justamente para você. Saiba que as pessoas que reclamam demais possuem pouca consciência crítica de si e negam que são “reclamonas”.

Concorda comigo que não é nada agradável ficar ao lado de uma pessoa que tem o hábito de criticar tudo e todos, o tempo todo? Não sei, mas talvez, você conheça alguém nesse perfil. E, provavelmente, nesse momento veio a sua cabeça a imagem desse indivíduo que lamenta e reclama o “tempo todo”. Acertei?

Como tudo na vida é uma via de mão dupla… O que será que pensam a seu respeito? Será que alguém ao ler esse texto, lembrará imediatamente do seu modo de agir?

Nada bom pensar nessa possibilidade. Lógico que nenhum de nós quer ser reconhecido como uma pessoa chata (convenhamos que uma pessoa que reclama muito é uma pessoa chata).

Sendo assim, não custa nada avaliar como “anda” o seu nível de reclamações.

Você já notou que se receber 10 feedbacks positivos e 2 negativos, ficará incomodado com os negativos a ponto de esquecer todos os importantes elogios que recebeu?

Analisando o comportamento humano principalmente dentro das organizações, é muito comum ver profissionais correndo como loucos e realizando mil coisas ao mesmo tempo. Mas, infelizmente, muitos não conseguem curtir e nem tão pouco comemorar os momentos de superação e de conquistas por mais de 30 minutos. Diante dessa observação in loco, fica evidente que, muitas vezes, há um foco exagerado no que falta fazer, no problema e não na solução, foco em quem cometeu o erro e pouco reconhecimento nas entregas realizadas (por parte de quem as faz e de quem as recebe).  Acredito que isso gere uma consciência coletiva de que o que temos “nunca” é o suficiente e que as expectativas “nunca” serão saciadas.

Esse olhar excessivo para o que ainda falta alcançar, juntamente com as repetidas queixas, alimentam atitudes reativas. Esse comportamento confunde as emoções e pode, como consequência, prejudicar as ações de uma pessoa em seus relacionamentos e em seu amadurecimento profissional, ainda mais para àqueles que possuem grandes ambições. A reatividade é contagiosa e tem um efeito dominó… quando nos damos conta já envolvemos alguém ou fomos envolvidos nessa cilada. Funciona como um vício e, como resultado dessa “droga”, pessoas importantes podem se afastar do nosso convívio, o sentimento de felicidade pode não chegar por conta da alta expectativa, o ânimo para produzir fica comprometido, a pessoa fica triste tornando-se mais vulnerável a doenças emocionais e físicas.

Essa é uma realidade que pode provocar decepções para alguns profissionais com potencial, ao invés de alavancar suas carreiras.

Continue acompanhando meu raciocínio e reflita…

Você já notou que se receber 10 feedbacks positivos e 2 negativos, ficará incomodado com os negativos a ponto de esquecer todos os importantes elogios que recebeu? No mínimo, por um período?

Notou também que quando as pessoas não agem como queremos, basta uma mancada para que todas suas qualidades sejam esquecidas temporariamente ou por um longo período, iniciando uma lista de restrições sobre tal pessoa? Sim ou não?

A verdade é que reclamar é muito mais fácil e cômodo, pois sempre haverá um “culpado” externo.

Por isso, julgo ser importante se perguntar e pensar constantemente se está usando esse lamento como desculpa para uma performance ruim, culpando as circunstâncias, ou se livrando de algumas responsabilidades. Ninguém precisa saber qual será sua resposta, além de você.

Por exemplo, quando você acorda costuma agradecer pelo novo dia ou desperta já resmungando sobre a quantidade de coisas que terá que fazer, sobre o que está ruim na sua vida, trabalho, casamento, casa, relacionamento, questões financeiras e etc.? Se age ou tem agido assim, treine um novo modelo mental com pequenas mudanças para não sofrer de ansiedade e ser um acumulador de frustrações. Comece já com o exercício 1.

Se você está no início de sua carreira aproveite para tomar consciência do seu padrão de pensamento e previna-se contra “o mal do eterno insatisfeito”. Não cultue a sensação de que não se doou o suficiente ou que se doou demais e a empresa, ou a quem se dedicou, não o reconheceu como deveria.

Todos nós sofremos a tentação diária de valorizar e multiplicar conteúdos negativos que chegam de todos os lados. Todos os dias somos “bombardeados” com informações destrutivas. Por isso, o desafio de manter conversas positivas e não se concentrar em episódios considerados ruins, torna-se árduo. Mesmo assim, firmemente digo que possuímos uma força interna para nos transformar (sou até repetitiva nisso). Podemos alcançar nossos sonhos desde que tenhamos metas claramente planejadas e que reconheçamos o valor de comemorar diariamente cada “coisinha ou coisona” boa que nos aconteça… Entendendo também que a escolha é nossa para que as situações vividas nos façam crescer com sabedoria ou nos diminua com uma coleção de desagrados pessoais e profissionais.

Para começar a colocar todo esse discurso em prática, entendo que devemos evitar as expectativas grandiosas… Talvez, esse seja um bom ponto de partida.

Se realmente tiver esse mal hábito de muito reclamar e pouco valorizar… O que precisa acontecer em sua vida para que você a transforme, reclamando menos e agindo mais?

Concluir que efetivamente tem criticado mais a vida, do que deveria agradecer é uma demonstração de coragem para si mesmo, pois com certeza, começará a se abrir para as transformações futuras.

Mudar um hábito é sempre muito trabalhoso. É necessário bastante treino, vontade e disciplina. Seguem cinco dicas de exercícios de coaching que podem ajudar a expandir sua consciência.

Eles auxiliam na substituição de comportamentos enraizados, aprimoram a tomada de consciência de si e do autocontrole. Aos poucos você perceberá os avanços.

1- Durante dois dias observe e anote quantas vezes você reclama de alguma coisa. Não precisa anotar sobre o que reclamou, o objetivo é checar a quantidade de vezes que demonstrou e expressou insatisfações. Ter consciência de si.

2- Ao acordar a primeira coisa que deverá fazer é agradecer… Assim que abrir os olhos: Faça agradecimentos. Escolha 5 itens da sua vida para agradecer. Não importa o que será…  Apenas faça sem questionar e com disciplina.

3- Antes de dormir lembre-se, com o máximo de detalhes que conseguir, de algo bom que tenha feito ou que tenha acontecido no decorrer do seu dia e agradeça.

4- Outro muito bom… tente ficar uma manhã inteira sem reclamar ou focar nos problemas de forma penosa (da hora que acordar até a hora do almoço). Depois de uma semana aumente o grau de dificuldade do exercício, se policie para não reclamar pela manhã e algumas horas da parte da tarde (você decide a quantidade de horas). Aos poucos e paulatinamente continue se desafiando mais. Depois pratique o exercício durante um dia inteiro.

É muito difícil! Mas, se não desistir no caminho, o resultado é genial.

5- Fique longe das conversas que tenham reclamações, fofocas, lamentações ou vitimizações. Prefira fugir ou silenciar para não ser instigado, pois é até engraçado como os diálogos começam muitas vezes com uma reclamação bem bobinha e sem grandes pretensões.

Exemplos corriqueiros: Conversas nas filas de banco, supermercados ou dentro do elevador. Se está muito sol, alguém puxa assunto dizendo que o calor está infernal. Se a temperatura caiu um pouco, há quem não aguente o silêncio do elevador e diga “Quando será que esse frio vai acabar? Não aguento mais.” Rsss….  É exatamente assim que acontece, não é?

Se você está no início de sua carreira aproveite para tomar consciência do seu padrão de pensamento e previna-se contra “o mal do eterno insatisfeito”.

Acredite que:
Conversas positivas são muito mais interessantes e produtivas.
Valorizar e agradecer as coisas boas independentes se são “coisinhas ou coisonas” nos tornam mais animados, motivados, a vida fica mais alegre, a mente mais em paz, o raciocínio mais rápido e o estresse diminui.

Mesmo com todos os seus problemas, não se queixe. Sabe por quê? Porque não vai adiantar nada! Agir sim adianta e faz a diferença no que precisa ser melhorado.

Boa semana para todos!