Passa ou Repassa, o filme

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passa ou repassa batman

Pronto.

O vídeo é breve, mas poderia ser considerado uma mini metragem, e obrigaria os críticos de cinema a escreverem resenhas cujo tempo gasto em sua leitura seria infinitamente maior do que aquele gasto assistindo a essa obra de arte contemporânea. Caso eu fosse crítico e caso este vídeo fosse elevado ao patamar que ele merece, eu publicaria algo mais ou menos assim:

“Neste curta tudo é coeso. A sucessão de eventos é bem amarrada. Os atores cumprem seu papel com destreza e o roteiro é impecável. Nada está fora do lugar, tudo funciona em harmonia feito o Paraíso descrito em Gênesis. No começo da história, somos apresentados a uma menina – que se veste de amarelo até o final da história – dona de uma certeza. Quando questionada, aperta um botão com a certeza de quem tem a tabuada na ponta da língua, de quem sabe dizer quanto é 7 vezes 8 sem precisar pensar duas vezes. Ali, a negativa; não, Tony Stark não é o Super-Homem. Celso Portiolli surge, então, como um antagonista. Sua risada comprovando o erro da menina de amarelo soa cruel. Sua onisciência nos leva a acreditar que talvez o mundo ao qual estejamos sendo apresentados envolva criaturas divinas, e aqui Portiolli com sua risada sincera porém escarnecedora seria o deus da travessura, o deus Loki do Passa ou Repassa. A menina, e aqui num momento sublime do cinema, nos transmite uma amálgama de dúvida e frustração. A certeza de sua resposta é rapidamente, e talvez rápido até demais para ela, substituída por autoquestionamentos. Vemos claramente essa confusão em seu rosto, como uma criança ainda muito nova assistindo ao próprio sorvete caindo no chão, incapaz de entender como funciona a implacável Lei da Gravidade. Num yin-yang instantâneo, o universo cumpre seu papel e faz um balanço de forças – é fato conhecido: não pode haver desequilíbrio na natureza. Isso posto como lei, a menina de azul (lembrando que ela também segue de azul até o fim da história, representando uma clara dicotomia entre ela e a outra personagem) obrigatoriamente enche-se de uma alegria desmedida, e, durante um breve segundo, ela é o maior reduto de entusiasmo da humanidade. Mas o universo é cruel e assim como ele dá, tira. E ao responder um sonoro BATMAN, a menina de azul causa uma entropia violenta no ambiente. Depois de tudo isso ainda somos subitamente apresentados à figura de Fausto Silva, incrédulo com tudo aquilo. Seu trabalho é magnífico, pois ele consegue nos transmitir uma mescla de emoções sem dizer uma só palavra.

Esse vídeo não é apenas uma obra-prima. É também o zeitgeist das novas gerações.”