Doce Melancolia

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Por Lucas Matheus, estudante do 2º ano de Jornalismo da UEL

Era 6 da manhã de um domingo e já estava acordado. Ou seria hora de dormir? Acho que já envelheci nesta multidão de jovens loucos do século XXI e nem cheguei aos 20 anos. Dormir as 10 horas da noite, em pleno sábado, é motivo interno de choro. O que fiz da minha vida até agora? O que eu fiz de errado? Qual a razão de eu estar aqui, jogando SimCity Buildit, bebendo refrigerante sem gás e pizza da noite passada? São estes tipos de perguntas que você se faz quando acorda cedo em um domingo. Sofrível.

Percebo os erros, os acertos e as idiotices da minha vida somente no domingo, quando este tipo de pergunta aparece na minha mente. Não foi muito diferente neste 27 de setembro melancólico. Sempre bate aquelas vontades: conhecer pessoas novas, conversar com as conhecidas – e ver que, na verdade, elas estão ocupadas com você -, fumar vários cigarros e ficar para baixo, na solidão e no anonimato dos domingos de primavera. As vezes, minha vida acaba se resumindo a isto e no final, o que me sobra são os cigarros mesmo. As vezes deixam uma cerveja ou vodka, mas, de resto, somente os cigarros. Triste fato.

Mas nem tudo se resume a depressão ou lágrimas. Cuidei de mim por um dia. De mim, do meu lento e obsoleto notebook e do meu furado, velho e flácido tênis. Fiz o bem para minhas coisas, o que me deixa razoavelmente feliz.  Quase tão feliz quanto comida, minha maior companheira destes dias deprimentes – o que explica meu alto peso, já tive vários deles.

Mas meu dia ainda não acabou. Algo me espera para a noite de domingo. É a caixinha de surpresas histórica que sempre se abre quando eu – e nem ninguém – espera. Geralmente entre o Faustão e o Fantástico é que aparece estas surpresas, vamos ver. E hoje tem o último dia do Rock In Rio, vão falar todos. Vão todos louvar o show da Katy Perry, o qual eu, mero mortal desvirtuado da realidade, não ligo. Eu quero ver mesmo é o A-ha, aquele lindo grupo de pop rock da Noruega – sim, aquela de Take On Me. E esperar os próximos domingos, fins de semana e 27 de setembro melancólicos, a base de rock, comida e cigarros.

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