Manifesto Rede-Socialista

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As redes sociais diariamente geram conteúdo. Não me referindo à quantidade óbvia e absurda de publicações geradas lá dentro, mas sim ao extenso material gerado do lado de fora. Artigos, crônicas, estudos, diariamente vemos alguma notícia relacionada ao Facebook e ao Twitter (e nenhuma sobre o Google Plus, mas ok, bola pra frente, tem outras rede).

Um novo estudo dizendo que jovens acessam cada vez mais redes sociais, quem fica mais não sei aonde dorme pior, quem passa mais tempo conectado naquela outra rede tem mais tendências psicopatas. Ou as crônicas – ‘o dia em que larguei o Face’ ou ‘motivos pelos quais eu não tenho celular’. São sempre revolucionárias, com aquele teor de “meu deus, o WhatsApp matou a interação humana”, “na minha linha do tempo só tem gente tonta”, ou aquela velha frase atribuída ao Einstein dizendo “Eu temo o dia em que a tecnologia…”, mas eu não preciso terminar, porque essa frase é igual Chaves, todo mundo já viu e sabe o final.

E no meio de tudo isso tem o Jornal Hoje, que ainda se refere à internet como rede mundial de computadores, e a emissora do referido telejornal faz tanto esforço para omitir os nomes que qualquer dia vai soltar um “As informações vieram daquele site que tem o passarinho”. Eles raramente citam os nomes das redes e o motivo é um mistério, considerando que a linguagem usada ali vem passando por um já longo processo de popularização – em outras palavras, daqui a pouco o Bonner tá falando ‘pobrema’, mas não fala ‘Facebook’.

Ok, passada a divagação, sou a favor das redes, do celular, do WhatsApp, e, veja bem, isso não significa que eu não seja contra o termo Zap Zap. Sim, sim, nós sabemos: o Facebook mesmo, por exemplo, acumula um sem-número de problemas: “amigos” demais, certezas demais, polêmicas, opiniões, piadas histéricas, tudo isso cuidadosamente colocado entre o pôster de um Minion e o vídeo de alguma véia doida pedindo a volta da ditadura. Nós somos quase obrigados a termos um posicionamento. Sobre a novela, o programa de TV, o reality de culinária, o filme que estreou, o problema internacional, a crise geopolítica lá e ali, o pau, a pedra, o fim do caminho, enfim.

E como se não bastasse, o grande-irmão Mark Zuckerberg ainda lucra com tudo isso (isso, no caso, somos nós mesmos). Ele ganha horrores e utiliza a nós como fonte de renda. Tá, tá, eu sei, você sabe, todo mundo sabe, e, ao contrário da idade da Glória Maria, nada disso é segredo. Porém, mesmo em meio a esse mar de polêmicas, o Facebook facilita. É como um ônibus lotado no verão – sim, é um inferno, mas tá todo mundo lá dentro. É fácil conversar, conectar-se, informar-se, compartilhar e divulgar histórias reconhecidamente autênticas e belas, reforçando a empatia humana. Não só o Facebook, mas o Twitter, o WhatsApp, o Periscope, tudo é em tempo real, é tudo igual aquele telejornal que tinha o Gil Gomes, Aqui Agora.

Sabe aquela velha história “a diferença entre um remédio e um veneno é a dosagem”? É assim com as redes sociais, com a vida. Há quem veja o celular como uma coleira. Não há como negar que este aparelhinho tornou-se tão parte do nosso corpo quanto um braço ou uma perna. Diria até que o celular virou uma extensão de nossas mãos. E, assim como você pode usar sua mão para bater, você também pode usá-la para acariciar. Vai de gosto.

P.S – Meu deus, quanta metáfora horrorosa. Vou compartilhar no Face.