Tinha tudo para ser nada e acabou sendo tudo

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Por Larissa Canassa Piauí, jornalista

Domingo é aquele dia em que a preguiça reina o tempo inteiro, acordar tarde e tomar café ao meio dia é o mais básico de um domingo normal. Depois é só se afundar no sofá para ver qualquer programa ruim na TV ou o seriado preferido no Netflix, o mais importante é fazer o mínimo de esforço possível sem ter hora marcada para nada.

O meu dia era para ser tudo isso, mas não foi. A vida sempre nos reserva boas surpresas, porque tudo não passa de uma eterna grande roda  gigante infinita com altos e baixos sempre emocionante.

São Paulo é bem maluco e esse 27 de setembro de 2015 não podia ser diferente. A única parte normal foi acordar tarde e tomar café da manhã mesmo sendo meio dia, mas a partir disso tudo mudou e nada mais foi o mesmo e, simplesmente, tudo o que estava planejado não aconteceu.

Muita gente em uma mesma casa sempre é uma confusão, uma prima da minha cidade estava aqui. Ela chegou à sexta para assistir o show no System of Down e aproveitar o final de semana na maior capital brasileira que mesmo com muita chuva foi sensacional!
Porque, entre uma nuvem e outra, existe a vida repleta de energia, gente nova para conhecer e novidades para serem descobertas.  O passar do tempo trouxe mais primas para casa e assim após o almoço já éramos cinco e ainda tinha meus tios observando toda a bagunça de mulheres resolvendo o que seria feito com o resto do domingo.

Depois de muita conversa o destino escolhido foi conferir a abertura da exposição da Frida Kalo no Instituto Tomie Otake. Tínhamos certeza que estaria completamente lotada e para economizar tempo compramos nossos ingressos pelo site. A partir disso, começou o role eterno em que tudo que estava planejado não aconteceu, porque logo na chegada ao instituto à fila era tão grande que virava o quarteirão e simplesmente não tinha fim. Assim, percebemos que não teria como esperar menos de duas horas na fila e ainda entrar antes das 19h sem pegar chuva!

Desistimos, mesmo com o ingresso comprado! Porque, já enfrentamos fila para tudo nesta cidade e domingo definitivamente não merece mais uma fila. Afinal, saímos para relaxar e não se estressar!

Decidimos que ir para um bar tomar cerveja – era a melhor saída para um final de domingo – e assim começamos a caminhar pela avenida sem rumo certo, apenas em direção a um bar legal com cerveja bacana, que é o mais importante nesta vida.

Vai bebida e vem batatinha frita entre uma garrafa e outra de cerveja artesanal a diversão era garantida. E como diz o antigo ditado o álcool entra e a sinceridade sai! Na prática é a mais pura realidade, porque em uma mesa de bar o pudor de palavras é inexiste e as histórias tornam-se inesquecíveis.

O tempo corria despercebido dentro do bar e a chuva escorria intensamente nas ruas, assim o fim da noite foi se aproximando e a hora de ir embora ficava cada vez mais perto. Ainda tínhamos que voltar para a casa a tempo de minha prima pegar a mala e ir para a rodoviária – mais uma vez nada deu certo. Mesmo saindo correndo para pegar o metro até a Barra Funda não conseguiu chegar no horário correto e acabou perdendo o ônibus, precisando remarcar para o próximo dia e depois ainda retornar para cá – Barra Funda é tão longe que é dá até aquela preguiça de saber onde é!

A volta para casa reservava pão caseiro quentinho da minha tia acompanhado de suco de uva e Fantástico passando na TV! Era para ser um domingo tranquilo, foi muito mais do que era esperado e ficou inesquecível.

No final da noite a intenção era ver o eclipse lunar, mas vi apenas nuvens mesmo e agora só em 2033!

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